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06.06.07
Alta de metais eleva comércio sucata

A alta mundial nos preços dos metais não ferrosos está aquecendo o comércio exterior de sucata.

O Brasil ampliou tanto as exportações quanto as importações de rejeitos metálicos, principalmente pela redução da oferta interna desses materiais, utilizados por fundições e fabricantes de latas de alumínio, que decidiram reforçar seus estoques. No caso do cobre, a elevação dos preços internacionais, que acumula mais de 80% este ano, fez com que o embarque dessa sucata ao exterior, entre janeiro e abril, fosse dez vezes maiores que o registrado no mesmo período de 2006.

“O aumento do consumo de sucata de alumínio geralmente ocorre no verão, influenciado pelas vendas de bebidas e cerveja”, afirma Alex Hashimoto, trader da Oceans Metals Trade . Ele explica que as empresas de fundição e as produtoras de latas de alumínio reforçaram seus estoques durante o primeiro trimestre. A importação foi resultado da baixa oferta de sucata no mercado interno, diz ele. “O consumo só deverá reaquecer-se em junho ou julho; no momento estamos dando mais atenção à importação de outros produtos, como aparas de plástico”. Em maio, segundo ele, a importação de aparas metálicas começou a decair, pois as empresas já possuíam bons estoques.

Hashimoto afirma que o preço da sucata acompanhou a alta dos metais. “A cotação da sucata tem como base o preço do metal na Bolsa de Londres, ficando geralmente por volta de 75% a 80% do valor do próprio metal”. O trader diz que alguns fornecedores no exterior ofereceram preços abaixo desses patamares, o que tornou a importação vantajosa.

De acordo com números do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, nos quatro primeiros meses do ano foram importadas 24,6 mil toneladas de sucata de alumínio, 70% a mais que no mesmo período de 2006. Em valor, as importações atingiram US$ 41,1 milhões no período. O volume foi importado principalmente por fundições, que utilizam os rejeitos para produzir lingotes do metal. A origem da sucata também mudou. Antes importada basicamente de países da América Latina, as aparas metálicas no início deste ano foram trazidas em grande parte de países do Oriente Médio. Só da Arábia Saudita, o Brasil importou 4,8 mil toneladas do material, o equivalente a US$ 7,9 milhões.

No cobre a situação é inversa. A valorização da sucata este ano acompanhou a evolução dos preços do metal acabado, que subiu mais de 80% desde janeiro. Com isso, o Brasil aumentou em dez vezes o embarque de sucata de cobre para o exterior. De janeiro a abril de 2006, foram 581 toneladas exportadas. No mesmo período deste ano, o volume alcançou 5,7 mil toneladas. Em valor, o crescimento foi ainda maior. Os exportadores e as traders brasileiras de metais faturaram US$ 27,6 milhões no primeiro quadrimestre, com o envio de rejeitos de cobre ao exterior. No mesmo período do ano passado, o montante foi de apenas US$ 660 mil.

A Açomete , que produz 500 toneladas de lingotes de metais não ferrosos por mês, espera elevar a produção em 6% em 2007, investindo no aumento de fornecedores. A escalada dos preços de metais influenciou diretamente o faturamento da firma, nos últimos três anos, mas não elevou as margens de lucro, segundo o superintendente Rogério Galeazzi. Segundo ele, a “medida provisória do bem”, que desobriga o comerciante de sucata a recolher alguns tributos onera a ponta da cadeia de reciclagem. “Antes, a empresa que coloca o produto já reciclado no mercado recolhia na compra da sucata e na venda do lingote, mas nesta fase podia descontar o valor da primeira operação. Agora o imposto não é cobrado na compra, mas incide sobre o valor da venda, que é mais alto.”

Para Galeazzi, o aumento da coleta residencial deve reduzir o custo da sucata no mercado, uma vez que a indústria tem materiais mais puros e já está habituada com o retorno econômico dos resíduos. Ainda de acordo com o executivo, a valorização excessiva poderá reduzir o uso dos materiais e, por conseqüência, a geração de sucata nos próximos anos.

Fonte: InfoMet
www.infomet.com.br

 

     
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