
País avança no setor de reciclagem
Para o diretor executivo do Cempre, André Vilhena, o gargalo da reciclagem no país está na coleta do lixo seco, ou seja, todo aquele que faz parte de seleção para reciclagem. “Os canais existem. Temos catadores e coleta seletiva em algumas cidades, mas falta maior participação da população. É ai que perdemos para outros países”, diz. A entidade estima que haja 500 mil catadores de recicláveis e 20 mil cooperativas de seleção de material atualmente no país. Vilhena explica que não é preciso que as pessoas separem os resíduos por material. “É necessário apenas separar o lixo seco do orgânico. O resto é por conta das cooperativas. Até porque a população não é obrigada a saber separar todos os sete tipos de plásticos utilizados em embalagens.” Mas o diretor conta que, para as ações serem efetivas, também é necessária a participação do poder público. “Temos um contato permanente com as prefeituras para incluir o tema na agenda política e continuar a elevar os números da reciclagem”, ressalta. Europa – No mercado da reciclagem, os países da União Européia aparecem em vantagem diante do Brasil porque utilizam o lixo para gerar energia. Isso significa que utilizam a incineração como fonte energética. Como a Suécia, que recicla 40% do seus resíduos, queima 50% como fornecimento de força e 10% vão para lixões. Porém, o esse uso faz com que a fonte não se renove e seja necessário fabricar novos produtos com mais matéria-prima. Quanto à tecnologia de reciclagem, o Brasil segue os mesmos padrões de outros países, como na reutilização do vidro, que é feita por meio de aquecimento, e de plástico, por modo mecânico. Mas também exporta conhecimento na área, como é o caso da Tecnologia Plasma, que consegue separar todos os componentes das embalagens tipo Longa Vida e transformá-los novamente em matéria-prima. “Hoje, existe a indústria fabricante de máquinas para reciclagem, o que não havia há dez anos”, conta José Roberto Giosa, coordenador de reciclagem da Abal (Associação Brasileira do Alumínio) e da Abralatas (Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alta Reciclabilidade). Esquecimento – Mas há um resíduo que não é reciclado, embora constitua praticamente 90% de todo o lixo produzido por uma pessoa. A parte orgânica, os restos de alimentos e vegetais. “Vejo esse como o nosso maior problema hoje, pois não recuperamos quase nada, apenas 1,5%”, explica Vilhena. Essa matéria pode ser processada e se transformar em adubo. Fonte: Diário do Grande ABC - www.dgabc.com.br
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